segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

AS MÚSICAS MAIS CHATAS DA MPB



  
Não, não estamos nos referindo à banda podre da música brasileira, pagode, axé, funk carioca, sertanejo. A MPB cabeça, de qualidade, também tem seus momentos, digamos, infelizes, de baixa inspiração.
Verdade seja dita, a culpa não deve ser creditada exclusivamente aos artistas mas sobretudo às FM´s que repetem exaustivamente em sua programação as músicas mais comerciais (e chatas), aos abomináveis jabás das gravadoras e principalmente ao comportamento do público brasileiro que, além de sua endêmica vocação brega, adora ouvir mais do mesmo ad eternum.
 Como nossos indefesos ouvidos são desprovidos de filtro qualitativo, os estrupícios sonoros neles martelados acabam por fincar-se, à revelia de nossa vontade, nas entranhas de nossa massa encefálica. Sem perceber, tornamo-nos reféns. E o que é pior, involuntariamente nosso cérebro sucumbido começa a processar e nossa boca automaticamente a cantarolar essas pragas.
O primeiro passo para exorcizar esse flagelo é externá-lo, dando nome aos bois. Cada vez que uma dessas canções for anunciada no rádio ou na TV ou identificado o primeiro acorde, o antídoto é imediatamente desligar o aparelho, trocar de emissora ou recorrer a alguma técnica oriental de blindagem da mente, entoando um mantra tão retumbante que impeça que o mal se instale.
Segue como roteiro minha lista particular com as 20 músicas grudes mais chatas da MPB, por ordem crescente de chatice:

20º ) LULU SANTOS – DE REPENTE, CALIFORNIA
Lulu Santos é campeão de músicas grudentas, algumas até gostosas tal “Como uma Onda” que integra o cancioneiro nacional básico. Outras menos, como essa bobinha “De Repente, Califórnia”, que, com seus versinhos toscos, imagina os valorosos fãs de Dick Dale e dos Beach Boys como tietes de Justin Bieber: “Garota, eu vou pra Califórnia, viver a vida sobre as ondas, vou ser artista de cinema, o meu destino é ser star” Boa viagem...

19º ) MARIA RITA – CARA VALENTE
Maria Rita entrou com tudo no cenário musical. Seu álbum de estreia de 2003 vendeu metade do que Elis Regina, a maior cantora brasileira de todos os tempos, vendeu em muitos anos de carreira. Exagero? Certamente! Ainda mais que a filha, apesar de alguma semelhança vocal e do bom repertório, não é páreo para o carisma da mãe. Ainda assim, uma boa surpresa nesses tempos de sertanejo universitário. O samba Cara Valente incluído nesse álbum, composto pelo badalado Marcelo Camelo, deveria ser uma sensação, mas o que estraga é aquele nauseante refrão “Ê! Ê! Ele não é de nada Ê! Ê! Ele não é de nada Ê! Ê! Ê! Ê!”

18º ) LUIZ MELODIA – PRA AQUIETAR
As canções de Luiz Melodia são bem legais... desde que não haja preocupação em tentar desvendar o inextricável sentido de suas letras herméticas. Ao fim, deve prevalecer a musicalidade e a peculiar interpretação do músico carioca para suas maravilhas contemporâneas. Em meio a pérolas negras, escondem-se todavia algumas bijuterias como essa “Prá Aquietar”. Não há melodia do Luiz que consiga segurar versos como “não posso pra lá paraguaio para, menino de cá faço o tempo parar, coral é natural, café da capital, da roupa nova que uso aqui”. Alguém entendeu?

17º ) TITÃS -  O MUNDO É BÃO, SEBASTIÃO
Essa canção de 2001, composta por Nando Reis que também a interpreta, teria por fim, ao que consta, homenagear seu filho, Sebastião, então com apenas 6 anos. Nela, o ex-titã buzinou tantas vezes nos ouvidos do pobre guri “o mundo é bão, Sebastião, o mundo é bão, Sebastião, o mundo é bão, Sebastião” que o moleque passou a duvidar que fosse mesmo. Se o mundo é bão, não sei. Mas essa música é muito ruim.

16º ) ROBERTO CARLOS – JESUS CRISTO
Os (e as) maiores intérpretes da MPB se renderam ao carisma do ‘cara’, não há como contestar essa unanimidade. É preciso reconhecer que Roberto, além de excelente intérprete, tem grandes lances de inspiração criativa sobretudo na sua irreverente fase “brasa” e mesmo em algumas românticas. Está, de fato, muito acima dos meros mortais, indiscutivelmente é o rei. Mas não é Deus. Nem apóstolo. A música brasileira agradeceria se Roberto se limitasse a fazer o que sabe, restringindo suas preces à intimidade dos momentos serenos de introspecção.

15º ) MPB-4 – A LUA
Desconte o fato de que a interpretação é do maior conjunto vocal da música brasileira, o MPB-4. Tirando a roupagem de gala, sobra muito pouco para essa música que realmente é bem chinfrim, a começar pelo clichê do jogo de palavras: “A lua, quando ela roda, é nova, crescente ou meia, é cheia ... depois é lua nova...mente quem diz que a lua é velha”. Fonte suprema de inspiração para poetas e apaixonados, a lua continua sem ter, por essas plagas tupiniquins, um tributo musical à altura do clássico americano Blue Moon de Rodgers and Hart. Desde os anos 50, continuamos louvando o banho de lua da Celly Campello.

14º ) NENHUM DE NÓS – ASTRONAUTA DE MÁRMORE
Dizem as más línguas que escutar essa versão (desfiguração?) de seu clássico do álbum de 1972, Ziggy Stardust, abreviou os anos de vida de David Bowie. A começar pelo refrão em que “Starman” virou “Estar Lá”. O fato é que a plateia mais jovem merecia ter sido apresentada ao revolucionário ícone do rock britânico em melhores circunstâncias. Talvez fosse mais apropriado mantê-lo intocável (e ‘intocado’) em sua integridade musical, afastado do grande público brasileiro (que satisfeito estava ouvindo Lady Gaga e Rihanna). E os gaúchos permaneceriam sob os olhos insanos de Camila, Camila.

13º)  ENGENHEIROS DO HAWAII - ERA UM GAROTO QUE COMO EU AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES
Mais uma translação pastiche para o português feita por um grupo de rock dos pampas. Desta vez, a “vítima” foi uma composição “datada” do italiano Gianni Morandi, um manifesto contra a guerra do Vietnã. A música de protesto cumpriu a contento, à época em que foi composta, sua missão antibelicista. Já fora por aqui, nos anos 60, um tremendo sucesso nas paradas (menos nas militares, lógico) com Os Incríveis. Não havia nenhuma necessidade de ser desencavada pelo conjunto gaúcho, ainda mais que sua versão (com direito a um bônus do hino da independência nacional) é de longe a pior das três.

12º ) ROUPA NOVA – LINDA DEMAIS
Em se tratando de músicas chatas, o grupo carioca é imbatível. Merecia até estar presente diversas vezes nessa relação. Desde que caiu no gosto da massa, nas trilhas de novela e no nível de qualidade de suas composições, o Roupa Nova emplacou uma sequência infindável de canções lacrimosas de apelo popular como Anjo, Dona, A Viagem e outras, uma mais xaroposa do que a outra. Linda Demais (“Linda, só você me fascina, te desejo muito além do prazer”) é uma condigna representante do conjunto da obra.

11º ) LEONI – GAROTOS II ( O OUTRO LADO)
O ex-Kid Abelha e ex-Heróis da Resistência resolveu tentar carreira solo. Não sei se foi uma boa ideia. Assim não fosse, teríamos sido poupados dessa chatinha “Garotos II (O Outro Lado)”, que já começa ruim pelo nome: a música tem esse título esquisito por se contrapor à “Garotos” (composta pelo próprio Leoni em parceria com Paula Toller). Difícil entender que tenha feito mais sucesso que a original. “Garotos não resistem aos seus mistérios, garotos nunca dizem não, garotos, como eu, sempre tão espertos, perto de uma mulher, são só garotos”. Garotos, garotos, garotos. Cresça, garoto!

10º) FLÁVIO VENTURINI – ESPANHOLA
Flávio Venturini nos gloriosos tempos de 14 Bis e depois, em sua carreira solo, compôs diversas músicas antológicas que fizeram parte da história da MPB.  “Todo Azul do Mar” e “Nascente” são exemplos expressivos. Essa “Espanhola” (parceria com Guarabyra), apesar de inevitáveis protestos que virão dos fãs, poderia ficar de fora. Ainda que executada em todas as rodinhas de violão, é um tanto piegas: “Te amo, espanhola, te amo espanhola, se for chorar...”. Acho que vou...

9º ) DJAVAN – OCEANO
Djavan é um cultuado artista da MPB e um ótimo vendedor de discos. Não tem motivo algum para choramingar tanto. Seu repertório está coalhado de nhem-nhem-nhem´s que faz muitas vezes confundi-lo com Jorge Vercilo (sua cópia piorada). Há, sem dúvida, boas sacadas como em Açaí e Sina, duas de suas boas canções. Esse “Oceano” até que promete mas, ao final, a vastidão do mar vai secando até desaguar num filete de sílabas entaladas na boca de uma torneira entupida: “só-sei-vi-ver-sê-fô-por-vô-cê”! Ufff...

8º) LEGIÃO URBANA – MONTE CASTELO
Desde que se entranhou como trilha sonora oficial da Vila Madalena, o Legião Urbana tornou-se um caso emblemático de saturação auditiva.  Todos os músicos de barzinhos sentem-se na obrigação ideológica de entoar os tons soturnos à maneira de Renato Russo para alguns de seus clássicos deprê, como essa Monte Castelo em que os rockeiros rebeldes sucumbem ao poder do amor: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos sem amor eu nada seria.” Socorro, The Clash, Dead Kennedys, Ramones!

7º ) GILBERTO GIL – SÓ CHAMEI PORQUE TE AMO
Stevie Wonder é um dos maiores artistas da cena internacional, que teve momentos antológicos em canções como Superstition, I Wish, Higher Ground, Sir Duke dentre outras. Mas às vezes, o gênio tem algumas recaídas melosas como na descartável I Just Called to Say I Love You feita para o filme Dama de Vermelho. Em meio a tantas opções, Gilberto Gil escolheu justamente essa música insossa para homenagear o crooner da black music. A versão em português conseguiu a proeza de superar em chatice a original. Não contente com a iconoclastia, Gil foi além: pasteurizou outro ídolo internacional, Bob Marley, em Não Chores Mais (No Woman, No Cry), enquadrada no padrão baianês do artista, até não lhe restar nenhum traço de reggae.

6º ) CÁSSIA ELLER – PALAVRAS AO VENTO
 A arrojada Cássia Eller também teve suas recaídas sorumbáticas de Ana Carolina. Essa música soporífera de seu repertório, fruto da peculiar parceria de Marisa Monte com Morais Moreira, sofre de uma contradição interna: trata de PALAVRAS mas repete monocordicamente a mesma: “Palavras apenas, palavras pequenas, palavras momento, palavras, palavras, palavras, palavras, palavras ao vento”. Tantas “palavras” resumidas a uma só palavra. Excesso de palavras e carência de vocabulário.

5º ) RITA LEE – DESCULPE O AUÊ
 Desde que abriu mão do rock e da rebeldia para tornar-se a queridinha da Alfa e da Antena 1, Rita Lee não parou de vender discos mas tem se tornado progressivamente mais enfadonha e desinteressante. Os tempos de guitarras e da ousadia definitivamente foram sepultados por melosas juras de amor: “Desculpe o auê, eu não queria magoar você, foi ciúme, sim” e “Da próxima vez eu me mando, que se dane meu jeito inseguro, nosso amor vale tanto, por você vou roubar os anéis de Saturno”. Saudades da ovelha negra...

4º ) TIM MAIA E GAL COSTA –  UM DIA DE DOMINGO
Dupla de gigantes em interpretação, juntando suas privilegiadas vozes numa histórica performance conjunta. A expectativa era grande. Que compositor seria agraciado pela homenagem desse encontro especial dos dois monstros sagrados? Chico? Caetano? Milton? Não: Michael Sullivan e Paulo Massadas, os reis... da dor de cotovelo. O resultado não podia ser pior: uma das maiores catástrofes de cafonice que se tem notícia na história da MPB: “Faz de conta que ainda é cedo, tudo vai ficar por conta da emoção, faz de conta que ainda é cedo, e deixar falar a voz do coração”. Quando julgáramos estar esse suplício sonoro caindo no esquecimento, Ana Carolina e Celso Fonseca fizeram o desfavor de ressuscitar das tumbas o nefasto cadáver.

3º) ELIS REGINA – ALÔ, ALÔ MARCIANO
Nem mesmo nossa maior cantora ficou isenta de seus escorregões. Ainda que escolhendo a dedo seu repertório, a soberba Elis, ao fim da vida, sucumbiu, do alto de sua magnificência, ao desejo de inflar o ego, abusando de dispensáveis estrepolias vocais e de uma afetação exagerada e irritante ao interpretar histrionicamente esse escracho musical (encomendado de uma Rita Lee em fase baixa). Não foi suficiente para empanar sua majestosa carreira mas poderia ter-nos poupado da empolada entoação “down, down, down on high society” e de versos como “tem sempre um aitolá pra atolar”.  Elis, que nunca precisou provar nada a ninguém, acabou provando que até mesmo os mais divinos humanos cometem pecados mortais.

2º) CAETANO VELOSO – VOCÊ É LINDA
Dizer que Caetano é um gênio é chover no molhado. Caetano se manteve no pico mesmo depois de gravar Peninha. Agora, imitar Peninha já é demais! É provável que essa “Você é linda” composta em 1983 e que até hoje testa nossa paciência em todas as FM’s, tenha servido de inspiração para o clássico universal da agonia “You´re Beautiful” de James Blunt (considerada a música mais irritante de todos os tempos, segundo a revista The Sun).  Seja como for, versos como “Você é linda, mais que demais, você é linda sim” são dignas de qualquer pagodeiro romântico.

1º) CHICO CÉSAR – À PRIMEIRA VISTA
O paraibano Chico César iniciou com o pé esquerdo sua carreira musical com duas musiquinhas chicletes que tocaram ad nauseam nas rádios: Mama África (A minha mãe é mãe solteira... além de trabalhar como empacotadeira nas Casas Bahia) e principalmente essa À Primeira Vista (gravada também por Daniela Mercury) que, para sua sorte, não foram suficientes para abortar sua vida artística, embora tivessem potencial de sobra para tanto: “Quando tive frio, tremi, quando chegou carta, abri, quando ouvi Prince, dancei, quando vi você, me apaixonei”, ao que se acrescentaria “quando ouvi essa música, odiei”. Não bastasse isso, traz as palavras mais proverbiais e profundas da MPB: “Amarazáia zoê, záia, záia, a hin hingá do hanhan”. Hã ?

Observação: Deixamos propositalmente de fora alguns clássicos da chatice, hors concours:
·                   “Reluz” - Marcos Sabino
·                   “Sonho de Ícaro” - Biafra
·                   “Porto Solidão” - Jessé
·                   “Escrito nas estrelas” - Tetê Espíndola
·                   “Não se Vá” - Jane e Herondy
·                   “Tô nem ai” - Luka
·                   “Eva” - Rádio Táxi
·                   “Planeta Água” - Guilherme Arantes
·                    “Bandolins” - Oswaldo Montenegro
·                    “Então é Natal” - Simone
·                   “Masculino e Feminino” - Pepeu Gomes
·                  “Anna Julia” - Los Hermanos.

Cartas à mesa, esconjure seus demônios, revelando sua sugestão para esse inventário.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A LEI, ORA A LEI





O PRESIDENTE DA REPÚBLICA – Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

§ 1º A partir de 1º/01/2017, como medida de contenção de despesas e economia de papel, o Diário Oficial da União passará a ser publicado exclusivamente na rede mundial de comunicação, internet.
§ 2º Valerá para a finalidade da publicação da lei prevista nesse artigo, a hora indicada na página inicial, ‘home page’ (sítio http://www.e-diariooficial.com/ ).
§ 3º A página inicial, ‘home page’, do Diário Oficial da União passará a publicar diariamente o dia e o horário no canto esquerdo superior em quadro retangular, obedecidas as proporções de 2 centímetros de altura e 8 centímetros de lar­gura, com fundo azul e caracteres arial, em verde e amarelo, conforme definido pelo programa Microsoft ‘Office Word’, versão 2013.
§ 4º A área do quadro, referido no inciso anterior, não poderá ser superior a 2% (dois por cento) do tamanho total da página inicial, ‘home page’, do sítio do Diário Oficial da União.
§ 5º Se, em virtude de avanços tecnológicos ou mu­danças de outra ordem, houver alteração nas medidas da pá­gina inicial, ‘home page’, do Diário Oficial da União, e as me­didas estabelecidas no inciso 3º excederem a proporção de 2% (dois por cento), previstas no inciso anterior, deverão ser estabelecidas novas medidas para o quadro do dia e horário.
§ 6º As novas medidas definidas no inciso anterior de­verão manter a proporção de 1 para 4 observadas no inciso 3º, e serão expressas em centímetros, com uma casa após a vírgula, devendo-se, em caso de aproximação, arredondá-las para cima.
§ 7º Caso as tecnologias do futuro façam reduzir a pá­gina inicial, ‘home page’, do Diário Oficial da União a menos do que 10 cm2, será adotada, na determinação do quadro de data e horário, definido no inciso 3º, um novo padrão a ser definido por comissão de três ‘web designers’ contratados para este fim.
§ 8º A contratação dos ‘web designers’, definida no in­ciso anterior, dar-se-á por concurso público, respeitando-se as normas e os princípios gerais da administração pública.
§ 9º Uma das vagas de ‘web designer’ será reservada para cadeirante.
§ 10º Uma das vagas de ‘web designer’ será reservada para afrodescendente.
§ 11º Uma das vagas de ‘web designer’ será reservada para quem cursou o primeiro grau em escola pública.
§ 12º O afrodescendente escolhido não poderá ser ca­deirante nem ter cursado o primeiro grau em escola pública.
§ 13º Aos ‘web designers’ contratados, serão asseguradas férias, décimo terceiro salário e demais be­nefícios previstos em lei.
§ 14º Aos ‘web designers’ contratados, será assegurado o direito de greve e direito à livre associação.
§ 15º O direito de greve a que se refere o inciso anterior se subordinará às normatizações sobre greve em atividades do serviço público, a serem regulamentadas pelo governo federal.
§ 16º As cores azul, verde e amarelo definidas no inciso 3º deverão aproximar-se daquelas utilizadas na bandeira na­cional oficial, estando vetadas as cores: amarelo gema, amare­lo papaia, amarelo Nápoles, amarelo mostarda, verde militar, verde lima, verde pálido, verde Paris, azul força aérea, azul cadete, azul da Prússia, azul Royal e azul da Pérsia, devendo ser submetidos à verificação do Instituto Nacional de Metro­logia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO, podendo haver margem de tolerância aceitável de até 7% (sete por cento) do padrão definido.
§ 17º Havendo mudança nos parâmetros definidos no inciso 3º referentes ao ‘Word’ da ‘Office’, em eventuais versões posteriores desse editor de texto da Microsoft, serão conside­rados os modelos de fonte e cores que mais se aproximarem da versão estabelecida.
§ 18º A verificação de proximidade entre os parâme­tros, na ocorrência da hipótese do inciso anterior, será defi­nida pela comissão de ‘web designers’ referida no inciso 7º, devendo sua decisão ser submetida a conselho composto por um representante do Senado, um da Câmara Federal e um das Câmaras Estaduais.
 19º O representante das Câmaras Estaduais será definido por votação das Assembleias Legislativas Estaduais, cada uma com direito a um voto.
§ 20º O voto de cada Assembleia Legislativa Estadu­al obedecerá às normas estabelecidas para essa finalidade, no âmbito das próprias assembleias, respeitada a pro­porcionalidade dos partidos integrantes da casa.
§ 21º Partidos com menos de 2% (dois por cento) de parlamentares não terão direito à participação no conselho definido no inciso 18º.
§ 22º Em caso de empate na eleição das Câmaras Esta­duais, o representante será definido por um dos critérios, pela ordem: a) idade mais elevada; b) ser afrodescendente c) ser cadeirante.
§ 23º Mantendo o empate nos três quesitos acima, o representante das Câmaras Estaduais será definido por jogo de palitinho, a ocorrer, no máximo, em cinco dias úteis após a eleição dos demais representantes do conselho definido no inciso 18º.
§ 24º O jogo de palitinho referido no inciso anterior de­verá ocorrer sob a supervisão do Superior Tribunal Federal – STF, escutada a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, que definirá o comprimento, a grossura e o peso dos palitinhos a serem utilizados no jogo.
§ 25º Em função da disponibilidade da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB em dar seu parecer, haverá um repasse de verba dos governos estaduais para o órgão.
§ 26º Em virtude da instituição do repasse, estão autori­zados os governos estaduais a implantar uma taxa ad valorem de 0,5% (meio por cento) nas contas de luz para financiar o repasse, chamada ‘taxa do palitinho’.
§ 27º Estarão isentos da taxa do palitinho os idosos acima de 60 (sessenta) anos, as sedes dos partidos políticos, a dos sindicatos, as residências de viúvas de oficiais que parti­ciparam da II Guerra Mundial, as sedes de times de futebol da 1ª, 2ª e 3ª séries do Campeonato Brasileiro de Futebol, os templos de qualquer culto e as residências de familiares até 3º grau do Sr. José Ribamar Ferreira Araújo da Costa Sarney.
§ 28º O idoso acima de 60 (sessenta) anos, para ter di­reito a isenção da taxa do palitinho, deverá se inscrever no Ca­dastro Federal de Contribuintes da Taxa do Palitinho (CFC­TP), em formulário próprio de isenção, demonstrando não possuir imóveis, não ser sócio de empresas de capital social acima de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), não possuir veículo automotor, além de ter de apresentar certidão negativa de tributos federais, estaduais e municipais e INSS, certidão de ações e execuções cíveis, fiscais e criminais, certidão de tutela, curatela e interdição, certidão de objeto e pé, documento de breve relato da JUCESP, declaração do imposto de renda dos últimos cinco anos, atestado médico, atestado de idoneidade moral, devendo, uma vez ao ano, fazer recadastramento no posto da Autarquia Federal do Palito, AFP, mais próxima à sua residência, ocasião em que, além da documentação referida, deverá apresentar certidão negativa de óbito, para confirmar que permanece vivo e recolher uma taxa de custas pela aber­tura do processo.
§ 29º Será criado um Fundo de Recursos da Taxa do Pa­litinho – FUNRETP para gerir os recursos arrecadados com a taxa do palitinho.
§ 30º Será criada a Autarquia Federal do Palitinho – AFP, com a finalidade de administrar Fundo de Recursos da Taxa do Palitinho – FUNRETP.
§ 31º O controle dos recursos do Fundo de Recursos da Taxa do Palitinho – FUNRETP, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, que terá a incumbência de fiscalizar a aplicação dos recursos, prestar as informações soli­citadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas comissões, sobre a fiscaliza­ção contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimo­nial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas, aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei.
§ 32º Os palitinhos utilizados no jogo do palito referido no inciso 23º não poderão ser de madeiras em extinção, segundo lista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, definida no último dia útil do ano anterior ao do jogo em questão, devendo ser publicada no Diário Oficial da União.
§ 33º Todos os dispositivos acima bem como os poste­riores valem para a nova lei e as sucessivas correções.
§ 34º Caso o mundo acabe, todos os dispositivos acima ficam automaticamente revogados.

Brasília, 31 de dezembro de 2016
(195º da Independência e 128º da República)

Michel Temer



Adaptado de texto do livro "O QUE DE MIM SOU EU"



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

VALEU, CARA!


Thank you, man! Valeu, cara! Em nome de bilhões de seres humanos de todas as partes do globo, venho expressar o agradecimento por tudo o que você fez para deixar seu país maior e menos prepotente para o mundo; e o mundo melhor e menos perigoso para todos.
Desculpe o tom de intimidade mas protocolos e formalidades definitivamente não combinam com seu jeitão despojado. O título de indivíduo mais poderoso do planeta não lhe cai bem. Você na presidência simbolizava a glorificação da simplicidade.
Um negro no poder? Não, você representava a diversidade de cores. O que se ressalta em você não é a cor da pele mas o sorriso no rosto.  Um sorriso aberto e franco que condiz com seu estilo desprendido. Uma postura que nos permitia noites de sono tranquilo, sem antever ameaças de insanidades belicistas. Sua única obstinação era a de aproximar inimigos, resolver desavenças na base do diálogo, evitando conflitos e derramamento de sangue. Você não discriminava ninguém: iranianos, coreanos, africanos cubanos, mexicanos. Todos manos.
O branquelo que vai, a partir de agora, ocupar sua cadeira pensa um pouco diferente. Ele não gosta muito de conversa. O negócio dele é erguer muros, ressaltar diferenças, propagar ódio. Nem por isso, você foi indelicado ao recebê-lo no salão oval da Casa Branca. Manteve o tempo todo o semblante sereno, sem perder a pose.
Imagino como será difícil para você ter de lhe passar a senha de acesso ao botão vermelho que aciona artefatos de exterminação em massa. O empresário magnata, agora também o senhor das armas,  vai poder brincar de dizimar inimigos. Primeiro, o Estado Islâmico. Em seguida, a Coreia do Norte. E depois? O Irã? Cuba? Venezuela? Até onde vai a escalada macabra?
O soar das ‘trumpetas’ do apocalipse nuclear consagrarão a supremacia da civilização cristã anglicana sobre os destroços do planeta. O deus loiro de topetes esvoaçantes vai perpetrar a grande cruzada para subjugar os ímpios selvagens do Islã, os negros arruaceiros da África subsaariana e os latinos traficantes, invasores pelo flanco meridional. O mundo, ou o que sobrar dele, vai ficar um lugar bem mais perigoso para se viver, não acha?
Fazer o quê? Efeitos dessa tal de democracia em que o voto de alguns milhares de brancos broncos do Texas e do Alabama determina o destino de 7 bilhões de indivíduos de todas as raças e credos.  Essa eleição expôs a verdadeira face da sociedade americana,  obscurantista, racista, xenófoba. Saudosa da época em que podia, sem culpa, exterminar índios e escravizar africanos,  pretende redimir os tradicionais valores da cultura ianque, ameaçados pela globalização e pela invasão de produtos chineses. Para tanto, elege um “outsider” da política. Não! Um “Insider”, difusor da hegemonia branca ocidental retrógrada, exploradora dos mais humildes e devastadora do meio-ambiente... Você sim, humanista, pluralista, pacifista, ecologista, antiarmamentista foi um autêntico “outsider”. Uma ovelha negra em meio a uma alcatéia de lobos brancos.
Não sei dos caipiras do interior americano mas o resto do mundo certamente preferia um cara descolado como você. Líderes com seu perfil estão se tornando joias raras onde valores como fraternidade, diálogo, tolerância andam tão escassos quanto os votos de Hillary nos confins do Oklahoma.
Seu adversário disse que vai fazer a América Grande de novo. Como assim? Se foi no seu governo que o país se recuperou da decadência e alcançou uma primorosa situação econômica e tecnológica...
 Sem falar no campo diplomático onde seus esforços de paz e de aproximação entre os povos melhoraram como nunca a imagem do seu país. Entendemos sua dificuldade em lidar com cascas grossas como Kim Jong-un, Netanyahu, Bashar al-Assad. Gente do mal que só promove guerras e mortes. E, claro, o (Ras) Putin eurasiano. Parece que seu sucessor vai se dar bem com o ex-oficial da KGB. São aliados naturais, navegam no mesmo mar de mediocridade.  O tirano russo vai ganhar de bandeja a Síria, a Ucrânia e sabe-se lá o que mais. Em troca, não se meterá com o resto da Europa e menos ainda com os grotões miseráveis da África e da América Latina.
A propósito, sou do Brasil. Você é muito admirado por aquelas bandas. Apareça por lá para dar lições de moral e humildade a nossos toscos governantes.
That´s it! Talvez os Estados Unidos que elegeram Trump tenham mesmo se tornado pequenos demais para você. Você agora é patrimônio da humanidade. A gente se vê na próxima campanha daqui a quatro anos... se o mundo aguentar até lá.
Não vamos nos esquecer de você, brother! Já estamos com saudades. Vê se não some.
Você sim é que é o cara!
Um beijo na Michelle
Sérgio